Dois anos depois da maior enchente que atingiu o estado, a cidade mais atingida teve valorização de 30% nos imóveis.
A expectativa era a pior de todas: com mais de 80% da cidade de Itajaí alagada, com o porto destruído e com um caos econômico e social, o mercado imobiliário não teria dias muito prósperos dali em diante. Este era o pensamento em novembro de 2008, quando Santa Catarina passou pela pior enchente da história do estado. Mas agora, alguns anos depois, o cenário é bem diferente do que se imaginava.
“A gente acreditava que haveria uma desvalorização imobiliária considerável. Mas não foi isso que aconteceu”, resume Anderson Damásio, diretor de uma das maiores construtoras do município. Para ele, o que segurou a desvalorização e fez até os preços aumentarem foram os programas de incentivo do governo federal para aquisição de casa própria e o bom momento da economia de todo o país. Estes fatores teriam sido mais fortes que o prejuízos da enchente.
Há muito tempo o mercado imobiliário de Itajaí cresce no mesmo ritmo que as operações portuárias. A cidade possui o segundo maior porto do país em movimentação de conteiner. Com empresas novas sempre chegando e contratando, é cada vez maior a procura por imóveis. “O que regula os preços é a oferta e a procura. Não a enchente”, avalia Alceu Rauber, proprietário de imobiliária.
Todos esses fatores provocaram uma valorização dos imóveis em Itajaí equivalente a cidades que não passaram por tragédias climáticas. Nos últimos dois anos, o valor dos imóveis ficou 30% na cidade catarinense. Segundo a Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI), São Paulo (SP) teve a mesma valorização imobiliária neste período.
Ainda com características de cidade pequena, Itajaí ainda não experimentava com muita intensidade a tendência de verticalização dos empreendimentos dois anos atrás. Mas entre 2009 e 2010, o número de prédios aumentou consideravelmente. Como são poucas as áreas não atingidas por alagamentos, a solução é fazer construções adaptadas nas regiões onde a enchente pode chegar. “A alternativa encontrada foi deixar o andar térreo somente para garagem. Assim, a água não chega aos apartamentos”, explica Alceu Rauber. E quem ainda investe em casas, procura por imóveis de dois pavimentos.
Fonte: Assessoria de Imprensa – Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI)